Tuesday, 18 June 2013
5 mortos e 2 feridos confirmados em assalto a Paiol na Linha de Sena
Monday, 17 June 2013
Médicos suspendem greve em nome do povo
“E assim, sem que
tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e
a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram,
hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos
profissionais de saúde!”
Maputo (Canalmoz) – Ao fim
de 27 dias consecutivos de greve, os profissionais de saúde (médicos,
enfermeiros e outros técnicos) anunciaram a “suspensão” da paralisação
no Sistema Nacional de Saúde, sem que tenham chegado ao consenso com o
Governo.
No documento enviado ao Canalmoz pela Associação Moçambicana dos Médicos
(AMM) não se especifica se as negociações que vinham decorrendo com o
Governo continuam ou não com a suspensão da greve. Alega-se “respeito
pela dor e sofrimento do povo solidário” para a suspensão da greve.
Eis o documento na íntegra
A Associação Médica de Moçambique (AMM) e a Comissão dos
Profissionais de Saúde Unidos (CPSU) convocaram no dia 20 de Maio uma
greve geral dos funcionários de saúde, como último recurso legalmente
consagrado na Constituição da República (CR) para fazer valer os seus
direitos e resgatar a dignidade dos profissionais de saúde. Respeitando
todos os dispositivos legais, incluindo um pré-aviso de 7 dias, a AMM e
CPSU, pautaram sempre pela transparência, legalidade e abertura total e
completa a um diálogo franco, aberto e concreto, que foi traduzido num
diálogo infrutífero por parte do Governo.
Garantindo sempre os
serviços mínimos, os profissionais de saúde souberam agir de forma
solidária a esta causa que tinha, tem e terá sempre interesses
colectivos, lícitos e legítimos como prioridade. Cedo, nos apercebemos
que a causa transcendia as fronteiras do sector saúde, abarcando todas
as outras classes de profissionais do sector público. Percebíamos, a
cada dia que passava, que, de uma forma ou de outra, a dignidade era e é
um horizonte nosso que pretendemos alcançar.
O apoio e solidariedade
dos moçambicanos sobressaiu e esteve visivelmente patente ao longo
destas quatro semanas, sendo exemplos as várias manifestações que
tiveram lugar e, mostrou o quão somos unidos e temos ideais herdados e
bem patentes, ideais estes que remontam da luta de libertação nacional,
cujo exemplo foi a marcha pela dignidade realizada hoje.
O primeiro
passo para o alcance de algo é sempre sonhar. Sonhamos, acreditamos e
fizemos! Fizemos chegar nossos ensejos à toda nação moçambicana. Nem as
ameaças e intimidações destruíram nossos sonhos.
Assim, queremos aqui
agradecer publicamente todo este apoio e solidariedade dos moçambicanos
aos profissionais de saúde. Souberam cuidar de quem cuida! Souberam
cuidar de quem salva!
A justiça social e equidade não é um sonho
utópico. De utópico apenas tem a arrogância de quem não percebe. O
carácter oculto e aparentemente inexistente de uma atitude insensível
sobressaíram. Ouvimos, vimos e testemunhamos actos que só sabíamos
existir nos livros da história universal e em particular de Moçambique.
A
dor de um profissional de saúde em greve jamais deverá ser interpretada
de forma leviana. A nós nos dói esta situação! É uma dor incalculável,
que nos atrevemos a comparar à dor de um bisturi rasgando nossa pele sem
a devida preparação psicológica e sem anestesia. Mas sentimos esta dor,
minuto após minuto, hora após hora, dia após dia, durante estes 27
dias.
No entanto, também percebemos e compreendemos a dor dos
Moçambicanos, que sempre mostraram a sua solidariedade, e de forma
paciente souberam esperar pela resolução deste diferendo que opunha os
profissionais de saúde e a entidade patronal.
E assim, sem que
tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e
a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram,
hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos
profissionais de saúde!
Apelamos que não se deixem intimidar por
levantamentos de processos disciplinares. A greve é legal, sendo um
direito constitucionalmente consagrado. As faltas marcadas são
justificadas! Estas tentativas de intimidação devem ser imediatamente
reportadas quer à CPSU, quer à AMM, a todos os níveis, que para o efeito
tem um departamento jurídico para o devido tratamento.
Felicitamos a
todos os profissionais de saúde, pela coragem e determinação que
tiveram e mantém, dando os primeiros passos rumo à dignidade e à
valorização da nossa classe.
Maputo, aos 15 de Junho de 2013
(Redacção)
Destaques
- 28 Dec 2007 Parque Nacional da Gorongosa e Edson da Luz vulgo
- 28 Dec 2007 Diplomata cubano sénior pede asilo político a
- 28 Dec 2007 Canal de Moçambique Boas Festas e Feliz 2008
- 28 Dec 2007 CSCS e Julieta Langa felicitam «Canal de
- 28 Dec 2007 Conselho Municipal quer dar nomes aos distritos urbanos
Destaques
Editoriais
- 9 Setembro 2011 Onde estamos nós metidos?
- 5 Agosto 2011 Bancos “assaltam” cidadãos por ordem “ilegal” do Banco de
- 8 Fevereiro 2011 A solução é o caos? Quando os arautos dos Direitos Humanos preferem fazer-se de
- 6 Abril 2012 Quererão os eleitores de Inhambane pôr fim ao poder dos “abutres” de
- 13 Maio 2011 Da justificada esperança às justificadas dúvidas
Semanário

Saturday, 8 June 2013
A Opiniao de Nicolau Parruque
Solução da greve dos médicos está no diálogo
SR. DIRECTOR!Permita-me, Excia, fazer chegar aos meus compatriotas a questão de fundo nos últimos dias que é a greve dos profissionais da Saúde, com o objectivo de reflectirmos sobre as suas causas e as respectivas implicações.
“Um Governo que não tem uma perspectiva clara para o futuro perderá o rumo e fatalmente sucumbirá face ao inesperado”, dizia um dos meus professores. É o que estou a assistir actualmente.
Estamos mergulhados num dilema muito grande, e ainda temos problemas de governação. Ninguém responde pelo desempenho dos Recursos Humanos do MISAU. Basta! Não podemos permitir que a política interfira nas acções da Saúde.
O MISAU veio a público, através da sua porta-voz, insultar os profissionais que lidam com vidas humanas como se se tratasse de estivadores. Não é possível os nossos dirigentes usarem um meio-termo não pejorativo para os seus subordinados?
Os nossos governantes bem com os profissionais da Saúde devem pôr a mão na consciência. Porque estão em jogo VIDAS HUMANAS e não vejo razões para que se demora tanto a resolver este conflito.
Continuamos a assistir situações bárbaras de atropelo da ética e direitos de qualquer trabalhador, o que, de certa maneira, desmotiva o pessoal da Saúde.
Suponho que o Governo está à espera que a greve complete 30 dias para levantar processos disciplinares contra os faltosos de modo a expulsá-los, o que vai aumentar ainda mais a escassez de quadros e complicar tudo o que já foi feito e previsto. Isso vai aumentar casos de cobranças ilícitas. Muitas coisas poderão sair mal no MISAU e complicar-se ainda mais a vida do povo. Dialogar é muito bom e parece que os nossos dirigentes não têm essa cultura.
O bom senso deve prevalecer entre o Governo e os profissionais da Saúde. Para tal é necessário, de facto, diálogo, que vai culminar com o retorno dos grevistas aos seus postos de trabalho o mais urgente possível.
Tenho dito.
- Nicolau Parruque in Noticias, 08 de Junho 2013
A Opiniao de Pedro Nacuo

DIZER POR DIZER… - Sonhando num reencontro médicos grevistas/doentes
Sonhando, como sonhar não é proibido e, sobretudo, porque é gratuito, num reencontro entre os médicos grevistas e os seus doentes (pacientes), vou cá desfilando um sem número de ideias sobre como será a conversa entre estas partes, sempre juntas, depois de quase um mês de divórcio forçado.Sonhando com o doente que olhando para o seu médico dirá (sem dizer) que, entretanto, este meu médico abandonou-me durante este período em que não fui nem controlado nem medicado, por o Doutor ter estado numa manifestação a que se deu o nome de greve e, assim, de facto, para além da dor que sentia aqui, agora também sinto ali, bem como deste lado… que pode ser o prolongamento da mesma doença. Ela cresceu, visto que também as doenças crescem.
Sonhando na dificuldade de o médico convencer ao paciente que gosta dele, que o acarinha, que estava em greve contra outras pessoas ou grupo de pessoas, que não ele, porque o salário que lhe é dado, apesar de ser, por hoje, dos mais gordos das classes profissionais da Função Pública, é, mesmo assim, muito magro.
Sonhando na dificuldade de o médico dizer ao doente que estava a lutar para que o Governo aumentasse mais o seu salário, por isso teve de abandonar quem precisava dele, o seu querido doente, a quem sempre disse que lhe estava a ajudar para que a morte demorasse a vir, que morresse mais tarde e não tão já.
Sonhando na dificuldade que o doente terá para fazer a ligação entre a sua doença e o tal governo, para que se convença que de facto é ao governo que se tem de atribuir a culpa de não ter sido tratado pelo médico durante um mês, sabendo que não terá sido o governo a faltar ao serviço, a fechar as enfermarias, os consultórios, as farmácias, as morgues, nem os cadeados que fecharam as portas de acesso ao seu hospital terão sido comprados e colocados pelo tal governo.
Sonhando num doente, que é simples POVO, a obrigar-se a compreender que na qualidade de pobre haverá outros mais pobres ainda que na sua luta contra essa pobreza não lhes importam os meios, ainda que outros passem pelo sacrifício de vidas humanas, desde que o fim seja o ser menos pobre que a maioria dos pobres.
Sonhando também na modéstia de um médico que dirá ao seu doente: estava enganado, tu não tens culpa, a culpa é de quem nem sequer passa por esta porta por onde entraste e, provavelmente, precisa de serviços de outros médicos, normalmente de fora deste país. Se calhar nem esse, mas precisamos de trabalhar mais para que o pão não falte a ninguém nesta casa.
Sonhando com aquele médico, mais modesto ainda, que dirá: a minha/nossa luta vai prosseguir, mas esta batalha foi perdida, justamente porque fizemos contas na terra, olhando para o céu, lá onde possivelmente é possível esquecer os outros, dando-nos a nós mesmos a importância que achamos ter…
Sonhando com aquele médico que dirá: fui e sou criança (como o são todos perante o POVO), por isso só agora faço as contas e descubro que o resultado é ter feito sofrer o meu POVO, não o governo, porque este, como todos outros governos, passa, mas sempre ficarei com o POVO, donde vim e aonde vou! Desculpe-me, POVO, meu pai, minha mãe, que me fizeste e me educaste! Eu também tenho família que sofreu neste período turbulento!
Sonhando numa organização de Direitos Humanos que defenda os direitos humanos, que numa situação litigiosa que envolva qualquer coisa e o direito à vida defenda este, por saber que é o mais importante de todos os direitos humanos (esqueçam a repetição).
Sonhando com o médico e doente a reconciliarem-se, ambos chegando a algumas conclusões interessantes, menos egoístas, menos exclusivistas do tipo se nós estamos zangados com o dinheiro que recebemos e significa o tecto dos funcionários do Estado, pelo menos em comparação com os professores, polícias… na verdade a nossa luta deve ser direccionada para outros objectivos, que incluem fazer com que o governo não mais se engane a dar muitíssimo dinheiro de ordenamento a uns e pouquíssimo a outros.
Sonhando numa culpa, sim, dada ao governo que em vez de ir tentando equilibrar os salários, conforme as competências e qualificações dos cidadãos, pelo contrário vai procurando cavar mais abismos que, num futuro próximo, podem tornar o país ingovernável, exactamente por causa das diferenças injustificáveis.
Sonhando num Estado que tratará os seus cidadãos, tal como ele mesmo disse, de forma igual, para que não se prolongue a ideia que fez dos cursos de Medicina e Direito os mais concorridos, porque é lá onde há muito dinheiro. Para que não se prolongue a ideia de que trabalhar nas Alfândegas, ainda que não se seja muita coisa do ponto de vista de formação, significa ser muito diferente dos outros moçambicanos com o mesmo número de anos escolásticos e competências equiparáveis.
Sonhando, enfim, num Estado que promove a formação dos seus cidadãos, mas para abraçarem profissões para as quais têm vocação, não à guisa de muito dinheiro, porque para ter muito dinheiro há muitos caminhos, alguns dos quais, infelizmente, passam por cometer crimes de toda a ordem.
Sonhei demais? Não é proibido, tal como foi dito acima. Ainda há lugar para sonhar em mordomias para os nossos dirigentes, mas apenas as justificáveis. São essas que não lhes desligam do rabo-de-palha, que fazem com que os comparsas façam e desfaçam, porque eles sabem quem são e de que vivem. Vamos sonhar o altruísmo, a moralidade, a consciência plena de que somos pobres, mas todos, para que todos lutemos contra a pobreza! Pena, o espaço só dava para dizer, quase sem dizer!
- Pedro Nacuo
GREVE NA SAÚDE - Médicos escrevem ao chefe do Estado
A carta contesta o facto de o Orçamento do Estado para a Saúde ter baixado nos últimos seis ou sete anos em cerca de 50 por cento enquanto em alguns sectores aumentou 10 vezes mais.
O documento afirma também que a actual situação em que se encontra o SNS deriva do silêncio dos governantes face às preocupações reiteradamente apresentadas pelos profissionais da Saúde, que se sentem desconsiderados, injustiçados, desmoralizados e revoltados.
Os subscritores da carta denunciam ainda situações de coacção, intimidação, demissão e repressão exercidas sobre os profissionais da Saúde envolvidos na greve e, segundo a carta, são medidas contraditórias com o reconhecimento da legitimidade da greve e não aceitáveis num Estado de Direito, o que contribui para o agravamento da situação.
Revela também que este grupo associa-se à Ordem dos Médicos de Moçambique e outras instituições no repúdio à detenção do presidente da AMM, Jorge Arroz.
A referida missiva lamenta e condena a minimização da gravidade da situação da greve, ocultando os problemas existentes e denegrindo as justas e legítimas reivindicações dos profissionais da Saúde.
Segundo o documento, este grupo constatou que, contrariamente ao que se tem propalado, os serviços mínimos têm sido assegurados na quase totalidade dos hospitais do país, embora com algumas deficiências que é necessário colmatar.
É com base nestas questões que os médicos apelam à intervenção do Chefe do Estado, na qualidade do mais alto magistrado da nação, no sentido de se encontrar uma solução para as preocupações dos médicos.
Tuesday, 4 June 2013
Mensagem do Presidente do Municipio de Quelimane em solidariedade aos Doentes em todo o territorio nacional, aos Municipes de Quelimane, a Classe Medica e a todos os Funcionarios do Sistema Nacional de Saude
Friday, 17 May 2013
Esta polícia não
da polícia.
A Opiniao de Freitas de Cabinda
A nossa polícia só ganhará prestígio e respeito no dia em que ela deixar de ir a cama com um determinado partido político, na medida em que souber acarinhar e proteger o povo seja esse povo “democrata” seja esse povo “republicano”.
Parlamento Juvenil de Moçambique
Sua Excelência
Senhor Armando Emílio Guebuza
-
Presidente da República de Moçambique
Maputo
Assunto: Carta Aberta sobre a Situação Explosiva na Saúde
Excelência,
1.
Queira aceitar, antes de mais, as mais cordiais saudações e votos de óptimo trabalho.
2.
O Parlamento Juvenil de Moçambique (PJ), movimento de advocacia em prol dos direitos e prioridades da juventude, apreensivo em relação a informação segundo a qual os médicos e os profissionais de saúde irão levar a cabo a sua 2ª GREVE GERAL EM MOÇAMBIQUE e, ao abrigo do artigo 79 da Constituição da República de Moçambique, interpela à V. Excia. para expressar o seu ponto de vista quanto ao assunto em epígrafe, tomando o ensejo de apelar ao vosso ponderoso critério de análise, a procedência da inquietação apresentada por via da qual se pretende fazer regular a nobre tarefa de servir à nossa pátria.
3.
Diante dos factos que nos são apresentados, emerge a convicção de que estamos perante o preocupante situação da descredibilização do
Maputo, Av. Emília Daússe, n
o 1747; +258 21304945/ 827738201; E-mail: comunicacao@parlamentojuvenil.org Page 2
Estado Moçambicano quando viola, de forma injustificada, memorandos e compromissos que assumiu formal e publicamente.
Considerando,
Que à 15 de Janeiro de 2013 foi assinado um
Memorando de Entendimento entre o Ministério da Saúde, em representação do Governo, e a Associação Médica de Moçambique que estabelecia: (i) a ausência de represálias aos médicos e médicos estagiários, (ii) a necessidade de um salário digno e diferenciado para o médico baseado no princípio de equidade com efeitos a partir de Abril de 2013, (iii) a aprovação do estatuto do médico na 1ª sessão da Assembleia da República de 2013 e, (iv) a manutenção de uma plataforma contínua de diálogo – acordo este escamoteado pelo Governo;
Lembrando que,
A Carta Africana da Juventude, na sua página 9, nota com preocupação a situação dos jovens africanos cuja maioria se encontra marginalizada em relação à sociedade devido a desigualdade dos rendimentos, ao subemprego e ao acesso precário aos serviços de saúde;
A Carta Africana da Juventude, no seu artigo 15 sobre os Meios de Subsistência Sustentáveis e Emprego para Jovens, defende que todos os jovens têm direito a: (i) um emprego remunerável, (ii) protecção contra a exploração económica e o exercício de funções perigosas susceptíveis de prejudicar a sua saúde e, (iii) garantia pelo Estado do acesso equitativo ao emprego e à remuneração;
Inspirado,
No artigo 89 da Constituição da República, sobre o Direito à Saúde, segundo o qual "Todos os cidadãos têm o direito à assistência médica e sanitária, nos termos da lei, bem como o dever de promover e defender a saúde pública";
Maputo, Av. Emília Daússe, no 1747; +258 21304945/ 827738201; E-mail: comunicacao@parlamentojuvenil.org Page 3
Acreditando que,
Não constitui sinal de fraqueza por parte de um Estado ceder às exigências e aspirações do povo que o elegeu;
Recordando,
Que o artigo 58 da Constituição da República, sobre o Direito à Indemnização e Responsabilidade do Estado, defende que "À todos é reconhecido o direito de exigir, nos termos da lei, indemnização pelos prejuízos que forem causados pela violação dos seus direitos fundamentais e; O Estado é responsável pelos danos causados por actos ilegais dos seus agentes, no exercício das suas funções, sem prejuízo do direito de regresso nos termos da lei".
Excelência,
4.
O Parlamento Juvenil acredita que esta greve é justa e carregada de pleno sentido de consciência do que significa ser cidadão, dos seus direitos e deveres, bem como do seu lugar dentro da sociedade por parte da parte da classe de profissionais da saúde.
5.
Ao redigirmos esta missiva ao Senhor Presidente para mostrar o nosso desagrado em relação ao incumprimento por parte do Governo do Memorando assinado com a Classe Médica aquando da 1ª greve, estamos conscientes que a classe médica, os médicos estagiários e os profissionais de saúde no país têm vivenciado situações de miséria estrutural e violência simbólica permanente.
6.
Acreditamos que um Estado que não respeita a classe de profissionais ligados à saúde, é um estado inconsequente e incongruente porque mais do que humilhar aos profissionais dessa área, violenta ao povo.
Maputo, Av. Emília Daússe, n
o 1747; +258 21304945/ 827738201; E-mail: comunicacao@parlamentojuvenil.org Page 4
7.
Se olharmos para a precariedade da vida dos médicos em comparação com as suas contrapartes noutras partes do mundo, emerge-nos o sentido social e revolucionário desta greve como a culminância de um processo que numa primeira fase se mostrou incapaz de ser resolvido por meio de diálogo institucional.
8.
Ademais, quando olhamos para as regalias dos ministros, vice-ministros, deputados, magistrados e de outros agentes do Estado, vislumbramos alternativas possíveis para satisfazer às exigências dos médicos, reajustando as regalias dos retros mencionados ou racionalizando os recursos numa óptica redistributiva, eliminando o ostracismo social em relação aos médicos e a classe de profissionais de serviços básicos.
9.
Não pretendemos de modo algum propor a "elitização" da classe dos médicos ou dos profissionais nacionais tal como não somos pela "elitização" dos nossos governantes e representantes na Assembleia do povo, mas pretendemos o resgate da dignidade e auto-estima dos profissionais de saúde como elemento indispensável para a qualidade de vida e segurança de todo o Moçambicano.
10.
Distanciando-se de qualquer acto que possa ter como consequência a perda de vidas humanas, o Parlamento Juvenil se solidariza em relação ao discurso da Associação Médica de Moçambique segundo o qual os médicos e os profissionais de saúde serão vítimas de uma "escravatura moderna" à luz do artigo 28 da proposta do Estatuto dos Médicos que obriga a prestação de serviço ao Estado em condições de remuneração não condignas – o que, num cenário de pauperização das classes profissionais essenciais para a vida e dignidade humana constituídas por médicos, professores e polícias, põe em causa o discurso do Governo que tem defendido peremptoriamente o combate à pobreza.
Maputo, Av. Emília Daússe, n
o 1747; +258 21304945/ 827738201; E-mail: comunicacao@parlamentojuvenil.org Page 5
11.
Julgamos que as reivindicações dos profissionais de saúde não têm nada de anormal num país normal. Se o nosso país não for normal, consideraremos estas reivindicações anormais, mas como esperamos que Moçambique seja um país normal queremos acreditar que se levará em alta consideração as nobres reivindicações destes profissionais dentro das capacidades do Estado, luta esta que remonta desde os tempos em que o Professor Doutor Zilhão liderava a Ordem dos Médicos.
12.
Importa referir que o Parlamento Juvenil colheu com satisfação a Comunicação de Sua Excelência na XVII Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana no tema sobre Juventude, onde em sábias palavras definiu a juventude como "o outro nome do nosso futuro" e evocou ao saudoso Presidente Samora Machel para definir a juventude como "a seiva da Nação". Na ocasião, referiu e passamos a citar:
"A qualidade da seiva depende da qualidade dos nutrientes que a planta absorver do solo. De igual modo, a qualidade da intervenção da nossa juventude será determinada pelo investimento que para ela direccionarmos."
Hoje, o Parlamento Juvenil evoca igualmente estes inteligentes ensinamentos para acrescer que a qualidade dos serviços de saúde, dependerá também da qualidade dos nutrientes que os profissionais da saúde poderem absorver da sociedade.
13.
Esperamos que se considere que os médicos são tão importantes quanto outras classes favorecidas, por isso apelamos que, no âmbito da promoção da auto-estima dos Moçambicanos, se solidarize com a causa da Associação Médica e da Comissão dos Profissionais de Saúde.
14.
Esta carta Sr. Presidente, constitui um apelo aos bons ofícios de Vossa Excelência no sentido de se sensibilizar em relação ao que os médicos e
Maputo, Av. Emília Daússe, n
o 1747; +258 21304945/ 827738201; E-mail: comunicacao@parlamentojuvenil.org Page 6
os profissionais de saúde solicitam, mesmo que seja necessário cortar as regalias dos ministros, vice-ministros, magistrados, deputados, entre outros para se repartir com as outras classes profissionais – recuperando o discurso do saudoso Presidente Samora Machel quando nos intimava a sermos "os primeiros nos sacrifícios e os últimos nos benefícios".
E nós reforçamos,
"que haja algo para todos e não tudo para alguns".
Excelência,
15.
Estamos convictos de que a juventude e o povo Moçambicano aceitará com maior agrado a resposta positiva da Vossa parte considerando que esta greve pode não prejudicar as grandes elites capitalistas que têm meios para recorrer às clínicas privadas mas sem dúvida, irá afectar ao povo no geral.
16.
Assim, disciplinadamente, submetemo-nos ao veredicto de Vossa Excelência que tem autoridade para o proferir, na expectativa de que esta mereçá a devida atenção de Vossa parte e manifestando desde já a nossa mais profunda solidariedade em relação à causa dos profissionais de saúde e do povo Moçambicano.
17.
Exigimos justiça na saúde!
Saudações revolucionárias,
"JUVENTUDE, UM PODER EM MOÇAMBIQUE"
Maputo, aos 16 de Maio 2013
O Presidente
______________________________
Salomão Muchanga
CC/ Associação Médica de Moçambique