Tuesday, 18 June 2013

5 mortos e 2 feridos confirmados em assalto a Paiol na Linha de Sena



Renamo não reivindicou o ataque entre Savane e Muanza, mas tudo indica que se trata de uma operação dos seus homens armados

Maputo (Canalmoz) – O Canalmoz noticiou ontem em última hora que cerca das 03 horas da madrugada de segunda-feira, homens armados atacaram um Paiol das FADM na estrada de Inhaminga, na província de Sofala, para se apoderarem de armamento ligeiro e pesado ali armazenado. Fonte do Hospital Central da Beira confirmou ao repórter da delegação do Canalmoz naquela cidade que deram entrada no banco de socorros, cinco mortos das forças militares do Governo e dois feridos graves.

Governo confirma

Ao início da noite foi o ministro da Agricultura, José Pacheco a confirmar o ataque e atribuiu a acção militar a homens da Renamo.
“Queremos aproveitar esta oportunidade para informamos que fomos surpreendidos com a notícia trágica de que a Renamo desencadeou um ataque armado” anunciou José Pacheco numa conferência de Imprensa no Centro Internacional de Conferência Joaquim Chissano onde participava do diálogo entre Governo e Renamo.
“Repudiamos o ataque e avisamos que essa atitude não ajuda a democracia. Apesar disso, o ataque não vai influenciar o curso do nosso diálogo. Mas os autores serão encontrados para responder por este acto” concluiu o ministro sem entrar em mais detalhes.
Renamo “não tem conhecimento” 
Por sua vez, o chefe da delegação da Renamo Saimone Macuiana, disse não ter conhecimento sobre o tal ataque.
“Eu não tenho conhecimento sobre esse ataque, por isso não posso responder o que não conheço. Em momento algum na sala o Governo abordou sobre o assunto” disse Macuiana.

Confirmação do hospital 

Ao Canalmoz, o porta-voz do Hospital Central da Beira, que se identificou apenas como Jamal, acrescentou disse que os mortos e feridos eram provenientes de Muanza, uma vila ferroviária na Linha de Sena que serve de escoamento ao carvão de Moatize, em Tete.
Em Muanza, a cerca de 80 quilómetros da Beira, existe uma importante pedreira de calcário que é vital para o funcionamento da fábrica de cimentos do Dondo, mais conhecida por Nova Maceira.
Os comboios da Vale Moçambique e da Rio Tinto estão paralisados a noroeste de Muanza, os descendentes, e entre Muanza-Dondo e Beira, os ascendentes, segundo fontes na Beira que não querem ser identificadas.
Mateus Mazibe, porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Sofala, disse ao nosso repórter na Beira que não confirma nem desmente que tenha havido qualquer incidente na zona entre Savane, localidade que se situa a cerca de 30 quilómetros do Dondo e Muanza.
Muanza, o local citado pelo porta-voz do Hospital Central da Beira como sendo a proveniência dos cinco mortos e dois feridos que deram entrada naquela unidade de saúde, situa-se a 80 quilómetros do Dondo.
Na Beira, na delegação provincial da Renamo em Sofala, o chefe do Gabinete do Delegado, Jorge Mussa Mutita, disse ao nosso repórter que não dispõe de qualquer informação sobre o incidente já confirmado há momentos pelo porta-voz do Hospital Central da Beira ao nosso correspondente na Beira, Adelino Timóteo.
Fontes informais devidamente identificadas reportaram-nos há momentos que houve dois ataques a depósitos de armamento militar, o primeiro às 03 horas e o último às 11 horas na manhã de ontem, mas fontes oficiais apenas admitem ter havido um ataque ao Paiol das FADM, entre Derunde e Muanza, para onde foram transferidos os artefactos do ex-Paiol de Inhamizua, na Beira, que há uns anos explodiu e ardeu.
No Dondo e na Beira – cidades que distam entre si cerca de 30 quilómetros – fontes civis com familiares na zona de conflito, disseram-nos que os seus parentes abandonaram a zona em debandada, tendo o mesmo acontecido com os efectivos policiais e militares ali estacionados.
A zona afectada abrange Savane, a 20 milhas do Dondo, Galinha, Derunde e Muanza, 80 quilómetro do Dondo.
Na Beira reina agora uma grande instabilidade militar e policial, segundo o nosso repórter.
O nosso repórter acaba de nos confirmar que no Quartel de Matacuane, das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), há “grande agitação” e o mesmo acontece no centro da cidade, no Quartel da FIR, ao lado do Conselho Municipal da Beira onde foram vistos blindados a circular.
Ainda nenhuma fonte da Renamo assumiu a responsabilidade do ataque, mas tudo indica que foram homens armados desta organização que empreenderam o assalto ao Paiol, às 03 horas da manhã de ontem.
Quanto ao ataque ao segundo paiol, que se diz ter ocorrido cerca das 11 horas da manhã de ontem, não há fontes fidedignas que o confirmem.
Na delegação provincial de Sofala o chefe do Gabinete do Delegado da Renamo disse-nos que o delegado e o porta-voz estão junto com o presidente da Renamo no distrito da Gorongosa. (Adelino Timóteo, na Beira, e Fernando Veloso, em Maputo)

Monday, 17 June 2013

Médicos suspendem greve em nome do povo


“E assim, sem que tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram, hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos profissionais de saúde!”

Maputo (Canalmoz) – Ao fim de 27 dias consecutivos de greve, os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e outros técnicos) anunciaram a “suspensão” da paralisação no Sistema Nacional de Saúde, sem que tenham chegado ao consenso com o Governo. No documento enviado ao Canalmoz pela Associação Moçambicana dos Médicos (AMM) não se especifica se as negociações que vinham decorrendo com o Governo continuam ou não com a suspensão da greve. Alega-se “respeito pela dor e sofrimento do povo solidário” para a suspensão da greve.
Eis o documento na íntegra
A Associação Médica de Moçambique (AMM) e a Comissão dos Profissionais de Saúde Unidos (CPSU) convocaram no dia 20 de Maio uma greve geral dos funcionários de saúde, como último recurso legalmente consagrado na Constituição da República (CR) para fazer valer os seus direitos e resgatar a dignidade dos profissionais de saúde. Respeitando todos os dispositivos legais, incluindo um pré-aviso de 7 dias, a AMM e CPSU, pautaram sempre pela transparência, legalidade e abertura total e completa a um diálogo franco, aberto e concreto, que foi traduzido num diálogo infrutífero por parte do Governo.
Garantindo sempre os serviços mínimos, os profissionais de saúde souberam agir de forma solidária a esta causa que tinha, tem e terá sempre interesses colectivos, lícitos e legítimos como prioridade. Cedo, nos apercebemos que a causa transcendia as fronteiras do sector saúde, abarcando todas as outras classes de profissionais do sector público. Percebíamos, a cada dia que passava, que, de uma forma ou de outra, a dignidade era e é um horizonte nosso que pretendemos alcançar.
O apoio e solidariedade dos moçambicanos sobressaiu e esteve visivelmente patente ao longo destas quatro semanas, sendo exemplos as várias manifestações que tiveram lugar e, mostrou o quão somos unidos e temos ideais herdados e bem patentes, ideais estes que remontam da luta de libertação nacional, cujo exemplo foi a marcha pela dignidade realizada hoje.
O primeiro passo para o alcance de algo é sempre sonhar. Sonhamos, acreditamos e fizemos! Fizemos chegar nossos ensejos à toda nação moçambicana. Nem as ameaças e intimidações destruíram nossos sonhos.
Assim, queremos aqui agradecer publicamente todo este apoio e solidariedade dos moçambicanos aos profissionais de saúde. Souberam cuidar de quem cuida! Souberam cuidar de quem salva!
A justiça social e equidade não é um sonho utópico. De utópico apenas tem a arrogância de quem não percebe. O carácter oculto e aparentemente inexistente de uma atitude insensível sobressaíram. Ouvimos, vimos e testemunhamos actos que só sabíamos existir nos livros da história universal e em particular de Moçambique.
A dor de um profissional de saúde em greve jamais deverá ser interpretada de forma leviana. A nós nos dói esta situação! É uma dor incalculável, que nos atrevemos a comparar à dor de um bisturi rasgando nossa pele sem a devida preparação psicológica e sem anestesia. Mas sentimos esta dor, minuto após minuto, hora após hora, dia após dia, durante estes 27 dias.
No entanto, também percebemos e compreendemos a dor dos Moçambicanos, que sempre mostraram a sua solidariedade, e de forma paciente souberam esperar pela resolução deste diferendo que opunha os profissionais de saúde e a entidade patronal.
E assim, sem que tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram, hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos profissionais de saúde!
Apelamos que não se deixem intimidar por levantamentos de processos disciplinares. A greve é legal, sendo um direito constitucionalmente consagrado. As faltas marcadas são justificadas! Estas tentativas de intimidação devem ser imediatamente reportadas quer à CPSU, quer à AMM, a todos os níveis, que para o efeito tem um departamento jurídico para o devido tratamento.
Felicitamos a todos os profissionais de saúde, pela coragem e determinação que tiveram e mantém, dando os primeiros passos rumo à dignidade e à valorização da nossa classe.
Maputo, aos 15 de Junho de 2013
(Redacção)

Saturday, 8 June 2013

A Opiniao de Nicolau Parruque

Solução da greve dos médicos está no diálogo

SR. DIRECTOR!
Permita-me, Excia, fazer chegar aos meus compatriotas a questão de fundo nos últimos dias que é a greve dos profissionais da Saúde, com o objectivo de reflectirmos sobre as suas causas e as respectivas implicações.
Maputo, Sábado, 8 de Junho de 2013:: Notícias
 
Triste é o que estamos a assistir nestes dias nas nossas unidades sanitárias. O sector da Saúde está tendo um retrocesso sem precedentes nestes últimos anos. É notória a falta de motivação nos seus profissionais não só por razões de compensação, mas também por escassez de equipamentos e material de protecção individual, pois clamam por melhores condições de trabalho, salários justos e pela erradicação das diferenças entre os trabalhadores.
“Um Governo que não tem uma perspectiva clara para o futuro perderá o rumo e fatalmente sucumbirá face ao inesperado”, dizia um dos meus professores. É o que estou a assistir actualmente.
Estamos mergulhados num dilema muito grande, e ainda temos problemas de governação. Ninguém responde pelo desempenho dos Recursos Humanos do MISAU. Basta! Não podemos permitir que a política interfira nas acções da Saúde.
O MISAU veio a público, através da sua porta-voz, insultar os profissionais que lidam com vidas humanas como se se tratasse de estivadores. Não é possível os nossos dirigentes usarem um meio-termo não pejorativo para os seus subordinados?
Os nossos governantes bem com os profissionais da Saúde devem pôr a mão na consciência. Porque estão em jogo VIDAS HUMANAS e não vejo razões para que se demora tanto a resolver este conflito.
Continuamos a assistir situações bárbaras de atropelo da ética e direitos de qualquer trabalhador, o que, de certa maneira, desmotiva o pessoal da Saúde.
Suponho que o Governo está à espera que a greve complete 30 dias para levantar processos disciplinares contra os faltosos de modo a expulsá-los, o que vai aumentar ainda mais a escassez de quadros e complicar tudo o que já foi feito e previsto. Isso vai aumentar casos de cobranças ilícitas. Muitas coisas poderão sair mal no MISAU e complicar-se ainda mais a vida do povo. Dialogar é muito bom e parece que os nossos dirigentes não têm essa cultura.
O bom senso deve prevalecer entre o Governo e os profissionais da Saúde. Para tal é necessário, de facto, diálogo, que vai culminar com o retorno dos grevistas aos seus postos de trabalho o mais urgente possível.
Tenho dito.
  • Nicolau Parruque in Noticias, 08 de Junho 2013

A Opiniao de Pedro Nacuo

DIZER POR DIZER… - Sonhando num reencontro médicos grevistas/doentes

Sonhando, como sonhar não é proibido e, sobretudo, porque é gratuito, num reencontro entre os médicos grevistas e os seus doentes (pacientes), vou cá desfilando um sem número de ideias sobre como será a conversa entre estas partes, sempre juntas, depois de quase um mês de divórcio forçado.
Maputo, Sábado, 8 de Junho de 2013:: Notícias
 
Sonhando com o médico que encontra o seu paciente, cujas complicações de saúde conhecia muito bem e sempre recomendou o seguimento das suas orientações, que sempre controlou, uma das quais é apresentar-se regularmente ao médico para controlar a sua evolução, sem o que a sua saúde poder-se-ia deteriorar, dando lugar, inclusive, à sua morte precoce ou evitável.
Sonhando com o doente que olhando para o seu médico dirá (sem dizer) que, entretanto, este meu médico abandonou-me durante este período em que não fui nem controlado nem medicado, por o Doutor ter estado numa manifestação a que se deu o nome de greve e, assim, de facto, para além da dor que sentia aqui, agora também sinto ali, bem como deste lado… que pode ser o prolongamento da mesma doença. Ela cresceu, visto que também as doenças crescem.
Sonhando na dificuldade de o médico convencer ao paciente que gosta dele, que o acarinha, que estava em greve contra outras pessoas ou grupo de pessoas, que não ele, porque o salário que lhe é dado, apesar de ser, por hoje, dos mais gordos das classes profissionais da Função Pública, é, mesmo assim, muito magro.
Sonhando na dificuldade de o médico dizer ao doente que estava a lutar para que o Governo aumentasse mais o seu salário, por isso teve de abandonar quem precisava dele, o seu querido doente, a quem sempre disse que lhe estava a ajudar para que a morte demorasse a vir, que morresse mais tarde e não tão já.
Sonhando na dificuldade que o doente terá para fazer a ligação entre a sua doença e o tal governo, para que se convença que de facto é ao governo que se tem de atribuir a culpa de não ter sido tratado pelo médico durante um mês, sabendo que não terá sido o governo a faltar ao serviço, a fechar as enfermarias, os consultórios, as farmácias, as morgues, nem os cadeados que fecharam as portas de acesso ao seu hospital terão sido comprados e colocados pelo tal governo.
Sonhando num doente, que é simples POVO, a obrigar-se a compreender que na qualidade de pobre haverá outros mais pobres ainda que na sua luta contra essa pobreza não lhes importam os meios, ainda que outros passem pelo sacrifício de vidas humanas, desde que o fim seja o ser menos pobre que a maioria dos pobres.
Sonhando também na modéstia de um médico que dirá ao seu doente: estava enganado, tu não tens culpa, a culpa é de quem nem sequer passa por esta porta por onde entraste e, provavelmente, precisa de serviços de outros médicos, normalmente de fora deste país. Se calhar nem esse, mas precisamos de trabalhar mais para que o pão não falte a ninguém nesta casa.
 Sonhando com aquele médico, mais modesto ainda, que dirá: a minha/nossa luta vai prosseguir, mas esta batalha foi perdida, justamente porque fizemos contas na terra, olhando para o céu, lá onde possivelmente é possível esquecer os outros, dando-nos a nós mesmos a importância que achamos ter…
Sonhando com aquele médico que dirá: fui e sou criança (como o são todos perante o POVO), por isso só agora faço as contas e descubro que o resultado é ter feito sofrer o meu POVO, não o governo, porque este, como todos outros governos, passa, mas sempre ficarei com o POVO, donde vim e aonde vou! Desculpe-me, POVO, meu pai, minha mãe, que me fizeste e me educaste! Eu também tenho família que sofreu neste período turbulento!
Sonhando numa organização de Direitos Humanos que defenda os direitos humanos, que numa situação litigiosa que envolva qualquer coisa e o direito à vida defenda este, por saber que é o mais importante de todos os direitos humanos (esqueçam a repetição).
Sonhando com o médico e doente a reconciliarem-se, ambos chegando a algumas conclusões interessantes, menos egoístas, menos exclusivistas do tipo se nós estamos zangados com o dinheiro que recebemos e significa o tecto dos funcionários do Estado, pelo menos em comparação com os professores, polícias… na verdade a nossa luta deve ser direccionada para outros objectivos, que incluem fazer com que o governo não mais se engane a dar muitíssimo dinheiro de ordenamento a uns e pouquíssimo a outros.
Sonhando numa culpa, sim, dada ao governo que em vez de ir tentando equilibrar os salários, conforme as competências e qualificações dos cidadãos, pelo contrário vai procurando cavar mais abismos que, num futuro próximo, podem tornar o país ingovernável, exactamente por causa das diferenças injustificáveis.
Sonhando num Estado que tratará os seus cidadãos, tal como ele mesmo disse, de forma igual, para que não se prolongue a ideia que fez dos cursos de Medicina e Direito os mais concorridos, porque é lá onde há muito dinheiro. Para que não se prolongue a ideia de que trabalhar nas Alfândegas, ainda que não se seja muita coisa do ponto de vista de formação, significa ser muito diferente dos outros moçambicanos com o mesmo número de anos escolásticos e competências equiparáveis.
Sonhando, enfim, num Estado que promove a formação dos seus cidadãos, mas para abraçarem profissões para as quais têm vocação, não à guisa de muito dinheiro, porque para ter muito dinheiro há muitos caminhos, alguns dos quais, infelizmente, passam por cometer crimes de toda a ordem.
Sonhei demais? Não é proibido, tal como foi dito acima. Ainda há lugar para sonhar em mordomias para os nossos dirigentes, mas apenas as justificáveis. São essas que não lhes desligam do rabo-de-palha, que fazem com que os comparsas façam e desfaçam, porque eles sabem quem são e de que vivem. Vamos sonhar o altruísmo, a moralidade, a consciência plena de que somos pobres, mas todos, para que todos lutemos contra a pobreza! Pena, o espaço só dava para dizer, quase sem dizer!
  • Pedro Nacuo

GREVE NA SAÚDE - Médicos escrevem ao chefe do Estado

Uma carta assinada pelo médico ginecologista Pascoal Mocumbi e subscrita por outros 84 médicos especialistas de diversas áreas e mais antigos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi enviada ao Presidente da República, Armando Guebuza, para manifestar a sua indignação face à actual situação na Saúde e apela à sua intervenção para a solução deste problema.
Maputo, Sábado, 8 de Junho de 2013:: Notícias
 
A missiva, a que o “Notícias” teve acesso, refere-se, entre outras coisas, que as condições de trabalho e a vida dos profissionais da Saúde têm estado a se deteriorar de forma acentuada nos últimos tempos, com faltas básicas de medicamentos e equipamentos nas unidades sanitárias, condições péssimas de habitação, sobretudo para os jovens médicos e para os pós-graduados e com salários de miséria.
A carta contesta o facto de o Orçamento do Estado para a Saúde ter baixado nos últimos seis ou sete anos em cerca de 50 por cento enquanto em alguns sectores aumentou 10 vezes mais.
O documento afirma também que a actual situação em que se encontra o SNS deriva do silêncio dos governantes face às preocupações reiteradamente apresentadas pelos profissionais da Saúde, que se sentem desconsiderados, injustiçados, desmoralizados e revoltados.
Os subscritores da carta denunciam ainda situações de coacção, intimidação, demissão e repressão exercidas sobre os profissionais da Saúde envolvidos na greve e, segundo a carta, são medidas contraditórias com o reconhecimento da legitimidade da greve e não aceitáveis num Estado de Direito, o que contribui para o agravamento da situação.
Revela também que este grupo associa-se à Ordem dos Médicos de Moçambique e outras instituições no repúdio à detenção do presidente da AMM, Jorge Arroz.
A referida missiva lamenta e condena a minimização da gravidade da situação da greve, ocultando os problemas existentes e denegrindo as justas e legítimas reivindicações dos profissionais da Saúde.
Segundo o documento, este grupo constatou que, contrariamente ao que se tem propalado, os serviços mínimos têm sido assegurados na quase totalidade dos hospitais do país, embora com algumas deficiências que é necessário colmatar.
É com base nestas questões que os médicos apelam à intervenção do Chefe do Estado, na qualidade do mais alto magistrado da nação, no sentido de se encontrar uma solução para as preocupações dos médicos.

Tuesday, 4 June 2013

Mensagem do Presidente do Municipio de Quelimane em solidariedade aos Doentes em todo o territorio nacional, aos Municipes de Quelimane, a Classe Medica e a todos os Funcionarios do Sistema Nacional de Saude



CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE QUELIMANE
Gabinete do Presidente
Mensagem do Senhor Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane, Professor Doutor Manuel de Araujo, em solidariedade a todos os Doentes, aos Munícipes da Cidade de Quelimane, à classe Médica, e a  todos funcionários do Serviço Nacional da Saúde

Caras Munícipes da Cidade de Quelimane,
Caros Munícipes da Cidade de Quelimane,
Minhas Irmãs, Meus Irmãos, Minhas Mães, Pais, Irmãos, amigos, moçambicanos e moçambicanas residindo nos diferentes cantos deste Município da Cidade de Quelimane,

Em meados de Janeiro de 2013, depois de nos termos surpreendido com uma greve dos médicos, regozijamo-nos ao saber que tanto o Ministério da Saúde (em representação do Governo de Moçambique) como a Associação Médica de Moçambique (em representação dos Médicos) tinham celebrado um Memorando de Entendimento que visava o retorno da harmonia social entre a classe médica e a sua entidade patronal. O Memorando de Entendimento assinado entre as partes esclarecia que com o fim da greve dos Médicos deveriam ser respeitados três pontos principais: i) ausência de represalias aos médicos e médicos estagiários; ii) estabelecimento de uma grelha salarial digna e diferenciada no sector públicos, tendo em conta o princípio de equidade com efeitos a partir de Abril de 2013 e aprovação do Estatuto do Médico na primeira sessão da Assembleia da República (recentemente terminada); e iii) existência de uma plataforma contínua de diálogo, e uma matriz de acções com prazos bem definidos.

Naquela altura, os munícipes da Cidade de Quelimane, em particular, e os moçambicanos no geral, protestaram o facto da demora no alcance dos três pontos do Memorando de Entendimento ter posto em causa muitas vidas humanas e associaram este sentimento à inflexibilidade, a insensibilidade e a arrogância do Governo moçambicano, que recusava dialogar imediatamente e alcançar consensos com a Associação Médica de Moçambique. Entretanto, não tínhamos apercebido que as partes tinham alcançado um consenso no qual o Governo não se interessava em respeitar. Contudo, apreciamos singelamente os esforços abnegados da Liga dos Direitos Humanos que, sem medir esforços, se desdobrou na busca de caminhos e soluções alternativas para que as partes se sentassem a mesma mesa e depois de longo período de negociação fumassem o cachimbo da paz.
Por causa da importância que damos a paz, a concórdia, a harmonia, a sociedade inteira apelou a necessidade de adopção de uma plataforma de diálogo, que deveria ser seguida como um pressuposto básico e imperativo de uma sociedade que se quer construir com base nos pressupostos bem-nascidos da democrática moderna e da boa governação. Ouvimos na altura um conjunto de apelos feitos pelos Munícipes de Quelimane, situados em diferentes cantos da autarquia,do pais e do mundo, para a necessidade de construção de instituições moçambicanas fundamentadas nos valores e princípios de respeito pela vida humana. Os apelos que advertia-se ao poder político e económico para o imperactivo primordial da criação de condições condignas e da indispensabilidade de cuidar de quem cuida a vida humana. 
Para os católicos e muitas outras organizações religiosas, o mês de Maio é o mês de Maria, mãe de Jesus. Maria é a mãe que dá a vida, Maria é a mãe acolhedora e protectora dos homens. Recordamos das palavras de um munícipe quando dizia: quem nos dera que as virtudes de Maria, Mãe de Jesus estivessem encarnadas naqueles que dirigem as políticas da saúde deste país! Entretanto, (sem querer dizer que existem momentos ou meses específicos para surgimento de greve, e aceitando que as greves surgem quando as condições para o efeito estão criadas), ficamos surpreendidos, ao sabermos através da diretrizes da segunda greve geral dos médicos em Moçambique e pelos órgãos de comunicação social de que, nenhum dos três pontos definidos no Memorandum de Entendimento assinado em Janeiro entre o Ministério da Saúde (em representação do Governo de Moçambique) e a Associação Médica de Moçambique (em representação dos Médicos), tinham sido respeitados como anunciados pelo Governo aos Munícipes da Cidade de Quelimane, em particular e a sociedade moçambicana, em geral! Ficamos mais atónitos e chocados quando perante os factos que revelam o não cumprimento do Memorando de Entendimento assinado entre as partes, não houve medidas correctivas imediatas, por parte de quem de direito, para salvar o Memorando de Entendimento e satisfazer o interesse daquela classe de profissionais que cuidam de vidas humanas. Em menos de 06 meses, de forma precipitada e desnecessária, sentimo-nos mergulhados numa segunda greve geral dos Médicos, o que ao nosso ver poderia ser evitada, caso o Governo tivesse assumido as responsabilidades acordadas em Janeiro com aquele grupo de profissionais dedicados e motivados em salvar vidas humanas.
Caras Munícipes da Cidade de Quelimane,
Caros Munícipes da Cidade de Quelimane,
Minhas Irmãs, Meus Irmãos, Minhas Mães, Pais, Irmãos, amigos, moçambicanos e moçambicanas residindo nos diferentes cantos deste Município da Cidade de Quelimane,
No mundo moderno, os compromissos que assumimos, estabelecemos, celebramos para a melhoria das condições sociais, económicas, laborais, profissionais e demais, constitui um dever inalienável, no qual os decisores políticos devem perseguir com o risco de deitarmos toda uma sociedade ao abismo e descredibilizarmos o Governo e as instituições do Estado. Por isso, achamos ser de bom senso a obrigatoriedade das partes cumprirem, com rigor, os termos do Memorando de Entendimento alcançado em Janeiro de 2013. Em outras palavras, estamos dizendo ser de bom-tom que o Governo não reprima os Médicos e Médicos estagiários envolvidos na greve; que o Governo deveria ter já estabelecido uma grelha salarial digna e deveria ter aprovação o Estatuto do Médico na Primeira Sessão da Assembleia da República (recentemente terminada); e que as partes devem definir uma plataforma contínua de diálogo, e uma matriz de acções com prazos definidos. Compromissos que não foram alcançados
Fazemos aqueles apelos imbuídos nos fundamentos básicos dos valores éticos e morais, através dos quais definimos a vida humana como sendo uma dádiva sagrada que contem um duplo significado. O primeiro significado que atribuímos à vida humana resulta do reconhecimento da suprema transcendência do ser divino: O Doador da Vida, de quem a vida do Homem depende em seu ser e em sua acção. A vida humana, na qual todos os moçambicanos detém o direito, é revestida de santidade porque é percebida como um dom derivado de um ser divino, que, por sinal deve ser aceite como tal por todos. Em segundo lugar, afirmamos que a santidade da existência do homem significa proclamar o valor único da vida humana em si, uma afirmação que se traduz, no Plano Ético e se circunscreve nas políticas sociais e governativas, que moldam o princípio segundo o qual, a vida humana é uma realidade inviolável e que merece admiração, estima, consideração e respeito incondicional.
Por isso, achamos que o desrespeito aos termos do Memorando de Entendimento assinado entre as partes é uma vexatória situação de um atrevimento irresponsável de quem de direito para com os princípios mais nobres da vida humana e dos Direitos Humanos, do qual, todas as moçambicanas e moçambicanos, independentemente da raça, religião, origem, filiação política, social ou cultural, merecem a protecção do Governo.
Caras Munícipes da Cidade de Quelimane,
Caros Munícipes da Cidade de Quelimane,
Minhas Irmãs, Meus Irmãos, Minhas Mães, Pais, Irmãos, amigos, moçambicanos e moçambicanas residindo nos diferentes cantos deste Município da Cidade de Quelimane,
Achamos que o Governo ao não respeitar o Memorando de Entendimento assinado entre as duas partes violou de forma flagrante um compromisso que visava não só beneficiar a classe dos profissionais da saúde como também, acautelar a protecção das vidas humanas de todos aqueles que se beneficiam dos Serviços Nacionais de Saúde. Perante esta demonstração de atrevimento, irresponsabilidade e insensatez do Governo, manifestamos o nosso profundo respeito e sublime solidariedade para com todos os Médicos, Farmacêuticos, Enfermeiros, Técnicos, Serventes e todo o pessoal do Serviço Nacional da Saúde, que no dia-a-dia dedicam todo seu esforço físico e espiritual para salvar vidas humanas. Embora não ouvimos até ao momento nenhum posicionamento sério, estruturante da parte do governo, para superar a crise institucional que se instalou entre Ministério da Saúde e a Associação Médica de Moçambique deploramos e desencorajamos alguns pronunciamentos irresponsáveis e não abonatórios proferidos por alguns segmentos da elite política nacional que, de forma arrogante, desrespeitosa e menos elegante, posicionaram-se contra a classe médica que tem a responsabilidade de cuidar pela vida, tanto dos Munícipes da Cidade de Quelimane como dos Moçambicanos em geral.  
Preocupa-nos também quando verificamos que anualmente o Chefe do Estado, através do parlamento, tem-se dirigido publicamente a nação moçambicana para apresentar o estado da nação. Nos discursos proferidos à Nação, pelo Chefe do Estado temos sido confrontados com chavões falaciosos, que ao nosso ver não condizem com a realidade do país, como por exemplo: “moçambicanos e moçambicanas o País esta a crescer”, “moçambicanos e moçambicanas estamos a desenvolver o país”, “moçambicanos e moçambicanas o País esta no Caminho Certo”, “moçambicanos e moçambicanas o País está bem”. Com base nos indicadores que suportam e sustentam aqueles chavões usados repetidamente pelo Chefe do Estado quando se dirige a nação moçambicana, e tendo um país a cresce, a desenvolver, no bom caminho, não entendemos o porque de tanta insensibilidade na criação de melhores condições de vida e salariais dos funcionários e agentes da saúde! Se os discursos do Chefe de Estado dirigidos à nação espelham a dinâmica crescente da economia do país, no contexto da greve geral dos Médicos, porque o Estado não adoptar com a devida brevidade, políticas salariais e estratégias de remuneração ajustadas às realidades micro e macroeconómicas do País? Com um País num bom caminho, a crescer e a desenvolver, como sempre diz o Chefe do Estado, que medidas políticas estão sendo adoptadas para satisfazer as moçambicanas e os moçambicanos, e em particular os Munícipes da Cidade de Quelimane que, através de um abnegado esforço físico e intelectual trabalham nas diferentes áreas ou sectores do País procurando salvar vidas?  
Caras Munícipes da Cidade de Quelimane,
Caros Munícipes da Cidade de Quelimane,
Minhas Irmãs, Meus Irmãos, Minhas Mães, Pais, Irmãos, amigos, moçambicanos e moçambicanas residindo nos diferentes cantos deste Município da Cidade de Quelimane,
Não deixaremos de reconhecer e mencionar o quanto ficamos surpreendidos quando nos apercebemos pelos órgãos de comunicação social o exercício infeliz para busca, captura e detenção do Doutor Jorge Arroz, Presidente da Associação Médica de Moçambique! Ao recebermos aquela notícia ficamos abatidos e assolados de arrepios estremecentes e tudo indicou que o País não esta no bom caminho. Por isso, repudiamos com veemência a prisão ilegal e inconstitucional do Doutor Jorge Arroz, perpetrada pela Polícia de Investigação Criminal. Não temos dúvidas que a decisão de mandato de captura e prisão do Doutor Jorge Arroz colocou o País no mau caminho. Não nos restam dúvidas que aquela prissão constitui violação flagrante aos pressupostos básicos da democracia, a liberdade de expressão, e de associativismo, consagrados na Constituição da República de Moçambique. Decorrente do potencial de risco que aquela prisão arbitrária, ilegal e inconstitucional causou à nossa jovem democracia moçambicana, apelamos a quem de direito (as instituições da justiça moçambicana) que se desdobre na busca de responsabilização dos mandantes e autores da captura e prisão ilegal do Doutor Jorge Arroz.      
Através desta mensagem, no contexto da greve dos médicos, da inflexibilidade do governo dialogar e encontrar velozmente uma solução, venho em meu nome pessoal e em nome de todos os Munícipes da Cidade de Quelimane lamentar os seguintes pontos:
·         A manifesta incapacidade do Governo da República de Moçambique na condução de um diálogo construtivo e producente com a Associação Médica de Moçambique, em prol dos interesses daquela classe de profissionais, e dos mais diversos sectores do Sistema Nacional da Saúde e do Estado Moçambicano. Deploramos porque esta incapacidade do Governo de Moçambique dialogar com os diferentes sectores esta sendo sistematicamente repetida o que prejudica os esforços na construção da paz, da estabilidade política, económica e social do País.
·         A arrogância demonstrada em alguns circuitos políticos que intervém nos órgãos de comunicação social, com argumentos esvaziados de fundamentos legalistas e numa estratégia de revelar existir uma mão externa que alimenta o movimento dos médicos, desrespeitando o papel das Agências Internacionais de Desenvolvimento, que, não só financiam o Orçamento Geral do Estado Moçambicano, como também, investem em diferentes sectores políticos, económicos, sociais e culturais do País.
·         A incoerência e a resistência em dar uma resposta imediata às reivindicações dos médicos, quando diariamente registamos abusos excessivos e delapidação do tesouro público, envolvendo uma elite (predadora) do Estado, que se revela completamente irresponsável às dificuldades da maior parte da população humilde deste País, mesmo quando se trata de um assunto sensível como é a vida humana.
·         A forma irresponsável do Governo da República de Moçambique não priorizou uma estratégia adequada de diálogo/comunicação, a importância e o valor que damos a vida humana dos Munícipes da Cidade de Quelimane, das Moçambicanas e dos Moçambicanos, o que ajudaria o alcance de um consenso e resposta imediata ao caderno reivindicativo apresentado pela Associação Médica de Moçambique e ao memorando de Entendimento assinado entre as partes.
·         A onda de intimidação perpetrada pelos Senhores/as Directores/as Provinciais da Saúde, pelos Governadores Provinciais, Administradores Distritais, e muitos outros que se opõem as reivindicações dos médicos, o que revela fragrante violação dos valores democráticos que assumimos e nos comprometemos a construir na sociedade moçambicana.
·         A instrumentalização de certos sectores da imprensa moçambicana, que estão impedidos de provar a sua competência e capacidade profissional na disseminação de informação verdadeira referente a greve dos médicos registada nas várias unidades sanitárias do País. Esta instrumentalização, controlo e asfixia, constitui uma violação dos princípios da liberdade de imprensa e da ética jornalística. 
Neste momento, em que nos dirigimos as Munícipes e aos Munícipes da Cidade de Quelimane manifestamos profunda preocupação pela perda de vidas humanas e pela insensibilidade do Governo da República de Moçambique em encontrar uma solução imediata que, por via de diálogo, possa respeitar os termos do Memorando de Entendimento assinado entre as partes em Janeiro de 2013. Insistimos mais uma vez que o respeito aos princípios do Memorando de Entendimento assinado entre as partes em Janeiro de 2013 deve ser considerado como sendo uma abordagem idónea e responsável a ser seguida para salvaguardar vidas humanas dos Munícipes da Cidade de Quelimane e demais cidadãos moçambicanos.
Diante desta preocupação, apelamos todos para o envolvimento das mais diversas forças vivas da sociedade moçambicana: a) as Confissões Religiosas; b) a Comunidade de Santo Egídio; c) as Organizações da Sociedade Civil; d) as Agências Internacionais de Desenvolvimento que actuam em Moçambique, e) os partidos políticos, e muitas outras, para que, o mais urgente possível, facilitem a construção de uma plataforma de diálogo e negociação entre o Governo da República de Moçambique e a Associação dos Médicos de Moçambique, e encontrem resposta ao diferendo que os opõe, em prol da salvação das vidas dos Munícipes da Cidade de Quelimane, dos moçambicanos e da defesa dos interesses da classe médica moçambicana.
     
 Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane,


Manuel de Araujo

Friday, 17 May 2013

Esta polícia não

Quelimane (DZ)-


O Pais esta sexta-feira mais um aniversario da criação da

Policia da Rep
publica de Moçambique, actual PRM. Foi a 17 de Maio de 1974 que o país criou esta forca policial que como qualquer uma, guia-se pela Constituição da República de Moçambique, portanto, já lá vão 34 anos.
Nos últimos tempos a PRM, tem sido alvo de quase todos seguimentos da sociedade civil
deste país. Mas não é por acaso que isso acontece. Sabese porem que por vezes a polícia age sob comando das forças partidárias, sobretudo no período eleitoral como este que
aproximamos. As acções da polícia não são pequenas, sobretudo nos processos eleitorais

fazem com que as pessoas tenham receio de estarem nas urnas e votarem a favor de quem querem. E não só, mesmo em manifestações a polícia tem estado de garras e
unhas impedindo tudo e todos, e como exemplo disso, temos pelomenos para a cidade de
Quelimane, as recentes do dia 1 de Maio em que as Forças de Intervenção Rápida (FIR),
impediram aos taxistas de bicicletas manifestarem.
Enfim, 34 anos depois, exige-se uma polícia a medida do desenvolvimento. Uma polícia
que saiba se lidar com os actuais f

omenos que bvao ocorrendo país. Uma polícia servidora e garante da legalidade, não uma policia que ostenta outra face, uma polícia que ajude a sociedade até a mudar de
comportamento para que tenhamos um comportamento são e saudável e aceite na sociedade.
Não uma pol

ícia que a população tenha medo de conviver com ela. Uma polícia mentirosa, uma polícia
sem vergonha, onde os dirigentes andam com indumentarias partidárias a luz do dia. Isso não é polícia de Moçambique, mas sim uma polícia partidária.
Os 34 anos devem ser de reflexão do passado, presente e olhar o futuro do país. Mas este olhar o futuro do pais não significa saber aquém o fulano vai apoiar ou não vai apoiar, mas sim compreender que este país, precisa de ter polícias visionários que prevê cenários negros.
 
Enfim, queremos acreditar que pessoas como Eduardo Mussanhane, Comissário da Polícia
que falou na semana passada na Conferência realizada em Maputo, precisam-se e não pessoas como ministro do Interior que só vem menosprezar aquilo que é o dia-a-dia
da polícia.

Precisamos de pessoas na polícia com coragem de apontar erros e dar possíveis soluções.
(DZ)
 

 
 


 

A Opiniao de Freitas de Cabinda

A infelicidade de um ministro
(do Interior)!
 
Não deixou de causar espanto a muitos, as recentes declarações do comissário da polícia, Eduardo
Mussanhane. Em sede de reunião organizada pela Liga dos Direitos Humanos (LDH), o general Musanhane deixou no ar uma mensagem de uma Polícia que funciona não na base da lei mas na base de “orientações superiores”. Ainda bem que as declarações que hoje irritam o ministro têm um  emissor especial, um filho da casa. Espanto ainda porque o general teve o atrevimento de em lugar onde se discutia como deve ser a conduta da Polícia em estado de direito


democrático, ter denunciado as fragilidades, fraquezas, e a forma como a Polícia, como um todo corporativo, funciona, na base de “orientações superiores”, decorrendo dai todo um conjunto de arrepios à Constituição da República.
Se bem que há “algumas ilhas de profissionalismo” na corporação também não é menos verdade que isso não exonera certas figuras com conhecimento profundo da casa de virem cá para fora e manifestarem o seu “repúdio” em relação a comportamentos animalescos da Força de Intervenção Rápida (FIR) e de outras unidades das Forças de Defesa e


Segurança que – muitas vezes –agem como se Moçambique estivesse ainda a viver nos anos da peste vermelha.
Foram a frontalidade e a postura do comissário da Polícia, um general na reserva, Eduardo Mussanhane, que irritaram o Ministro do Interior, antigo re itor da Academia de Ciências Policiais
(ACIPOL), o mesmo que em flagrante violação à lei, havia indicado um director para a PIC mesmo sem preencher os requisitos para o efeito.
Acontece que o general Mussanhane não disse nada de extraordinário, senão apenas uma “assunção”daquilo que corre na retina dos moçambicanos no dia-a-dia nesta bela “pátria amada”.
Parece que o banco de trás do Mercedes, pago com impostos do povo, que ao mesmo tempo é vítima
da repressão da FIR, não permite ao nosso bom do Ministro ver uma manada a um metro, pois a aparente comodidade e conforto proporcionados pela máquina alemã é tão reconfortante que cega
a inteligência e entorpece o seu entendimento.
O general Mussanhane não fez mais nada do que quebrar tabus, paradigmas, corporativismos que
são aspectos marcantes de uma corporação igual aquela que é dirigida pelo ex-reitor. E ai, Mondlane pode ter razão mas esta fica diluída porque a actuação da Polícia não acontece debaixo do lençol. É aos olhos do Mussá Rodrigues.
Mussanhane não veio, em minha opinião, demarcar-se dos problemas da corporação mas sim veio alertar ao Ministro para que desperte, se ainda não o fez, de uma realidade que é um verdadeiro
atentado aos mais básicos e elementares preceitos democráticos insirtos na Constituição da
República e em outros instrumentos internacionais de que Moçambique é signatário.
A própria actuação da FIR -em muitos dos casos a que ela foi


chamada a intervir - ocorreu com violação do Estatuto da PRM. Ou o Ministro não lê ou então acha-se no poder de politicamente e a nível do comando geral da polícia criar-se,  a nível da corporação, uma espécie de narco-estado, uma narco-polícia, portanto, que age à margem das leis.
À luz do estatuto da PRM, a FIR é uma unidade especial das Forças de Defesa e Segurança que
deve agir em situações especialíssimas e deve fazê-lo no sentido de manter a ordem e seguranças
públicas. Mas não é assim que age a FIR, comportando-se, frequentemente, como bois na loja
de loiça.
Não foi surpresa para mim e provavelmente para outras pessoas a ausência de uma onda de
solidariedade para com os quatro elementos da FIR mortos pela Renamo em Muxunguè. Em alguma
opinião pública, alguém tinha que aparecer a colocar freios a EXEMPLAR actuação da FIR.
É de presumir que a FIR, por exemplo, actue em situações de combate à violência declarada de
cuja resolução ultrapassa os meios normais. Mas no nosso caso, uma pequena concentração de pessoas mesmo que não inspire instabilidade temos os “jagunços” do Ministro do Interior prontos para “bater”, para molestar cidadãos mesmo em situação de força desproporcional.
Segundo o estatuto da PRM, a FIR pode também intervir em situações de violência concertada,
mas ninguém e provavelmente nem o próprio ministro pode explicar ou nomear um único caso em que manifestamente o país teve esta situação.
No lugar de desqualificar as declarações de Mussanhane, o ministro do interior devia assumílas
como uma contribuição genuína de um patriota que ama este país e o seu povo e que fala com
autoridade de quem melhor conhece PROFUNDAMENTE a casa, pois é filho dela, cresceu nela e deseja dar alguns subsídios e contribuir,


Experiência, para que tenhamos uma instituição que inspire respeito de qualquer moçambicano independentemente da côr do cartão do partido de que é membro.

Naturalmente que terá enormíssimos desafios porque vai ter de lidar com comandantes da Polícia da
geração do 25 de Setembro, ideologicamente orientados pelo centralismo- democrático.

A polícia de hoje não deve agarrar-se aos ditames do passado, a nossa polícia, a exemplo de outras
instituições do país, deve evoluir, senão os investimentos em escolas superiores (ACIPOL) colocados à disposição da nossa polícia são injustificáveis.

É tempo de a polícia concentrarse no seu trabalho, que não é pouco: garantir a segurança a todos os cidadãos independentemente das suas filiações partidárias.

Deve, por outro lado, afastar qualquer tentação de ser usada como um braço alternativo (recurso) para o cumprimento de agendas marginais à Constituição da República. Ao agir no estrito respeito e obediência à Constituição, evitaríamos ter declarações infelizes do bom do nosso ministro e
nem teríamos Khalaus neste país a declararem publicamente que não vão cumprir ordens de tribunais.
A nossa polícia só ganhará prestígio e respeito no dia em que ela deixar de ir a cama com um determinado partido político, na medida em que souber acarinhar e proteger o povo seja esse povo “democrata” seja esse povo “republicano”.

Diz o bom do Ministro que as declarações de Mussanhane são infelizes. Só para terminar gostaria
de refrescar a memória do “camarada” Ministro, que foi esta nossa polícia “APARTIDÁRIA” que elaborou um documento exaustivo a explicar ao partido FRELIMO como o município de Quelimane caiu nas mão do “inimigo”.


PS- Sr. Ministro, pode ter a certeza que esta polícia envergonha o Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança!

Parlamento Juvenil de Moçambique

À

Sua Excelência

Senhor Armando Emílio Guebuza


-
Presidente da República de Moçambique

Maputo


Assunto: Carta Aberta sobre a Situação Explosiva na Saúde

Excelência,


1.
Queira aceitar, antes de mais, as mais cordiais saudações e votos de óptimo trabalho.

2.
O Parlamento Juvenil de Moçambique (PJ), movimento de advocacia em prol dos direitos e prioridades da juventude, apreensivo em relação a informação segundo a qual os médicos e os profissionais de saúde irão levar a cabo a sua 2ª GREVE GERAL EM MOÇAMBIQUE e, ao abrigo do artigo 79 da Constituição da República de Moçambique, interpela à V. Excia. para expressar o seu ponto de vista quanto ao assunto em epígrafe, tomando o ensejo de apelar ao vosso ponderoso critério de análise, a procedência da inquietação apresentada por via da qual se pretende fazer regular a nobre tarefa de servir à nossa pátria.

3.
Diante dos factos que nos são apresentados, emerge a convicção de que estamos perante o preocupante situação da descredibilização do

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Estado Moçambicano quando viola, de forma injustificada, memorandos e compromissos que assumiu formal e publicamente.

Considerando,

Que à 15 de Janeiro de 2013 foi assinado um

Memorando de Entendimento entre o Ministério da Saúde, em representação do Governo, e a Associação Médica de Moçambique que estabelecia: (i) a ausência de represálias aos médicos e médicos estagiários, (ii) a necessidade de um salário digno e diferenciado para o médico baseado no princípio de equidade com efeitos a partir de Abril de 2013, (iii) a aprovação do estatuto do médico na 1ª sessão da Assembleia da República de 2013 e, (iv) a manutenção de uma plataforma contínua de diálogo – acordo este escamoteado pelo Governo;

Lembrando que,

A Carta Africana da Juventude, na sua página 9, nota com preocupação a situação dos jovens africanos cuja maioria se encontra marginalizada em relação à sociedade devido a desigualdade dos rendimentos, ao subemprego e ao acesso precário aos serviços de saúde;

A Carta Africana da Juventude, no seu artigo 15 sobre os Meios de Subsistência Sustentáveis e Emprego para Jovens, defende que todos os jovens têm direito a: (i) um emprego remunerável, (ii) protecção contra a exploração económica e o exercício de funções perigosas susceptíveis de prejudicar a sua saúde e, (iii) garantia pelo Estado do acesso equitativo ao emprego e à remuneração;

Inspirado,

No artigo 89 da Constituição da República, sobre o Direito à Saúde, segundo o qual "Todos os cidadãos têm o direito à assistência médica e sanitária, nos termos da lei, bem como o dever de promover e defender a saúde pública";

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Acreditando que,

Não constitui sinal de fraqueza por parte de um Estado ceder às exigências e aspirações do povo que o elegeu;

Recordando,

Que o artigo 58 da Constituição da República, sobre o Direito à Indemnização e Responsabilidade do Estado, defende que "À todos é reconhecido o direito de exigir, nos termos da lei, indemnização pelos prejuízos que forem causados pela violação dos seus direitos fundamentais e; O Estado é responsável pelos danos causados por actos ilegais dos seus agentes, no exercício das suas funções, sem prejuízo do direito de regresso nos termos da lei".

Excelência,


4.
O Parlamento Juvenil acredita que esta greve é justa e carregada de pleno sentido de consciência do que significa ser cidadão, dos seus direitos e deveres, bem como do seu lugar dentro da sociedade por parte da parte da classe de profissionais da saúde.

5.
Ao redigirmos esta missiva ao Senhor Presidente para mostrar o nosso desagrado em relação ao incumprimento por parte do Governo do Memorando assinado com a Classe Médica aquando da 1ª greve, estamos conscientes que a classe médica, os médicos estagiários e os profissionais de saúde no país têm vivenciado situações de miséria estrutural e violência simbólica permanente.

6.
Acreditamos que um Estado que não respeita a classe de profissionais ligados à saúde, é um estado inconsequente e incongruente porque mais do que humilhar aos profissionais dessa área, violenta ao povo.

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7.
Se olharmos para a precariedade da vida dos médicos em comparação com as suas contrapartes noutras partes do mundo, emerge-nos o sentido social e revolucionário desta greve como a culminância de um processo que numa primeira fase se mostrou incapaz de ser resolvido por meio de diálogo institucional.

8.
Ademais, quando olhamos para as regalias dos ministros, vice-ministros, deputados, magistrados e de outros agentes do Estado, vislumbramos alternativas possíveis para satisfazer às exigências dos médicos, reajustando as regalias dos retros mencionados ou racionalizando os recursos numa óptica redistributiva, eliminando o ostracismo social em relação aos médicos e a classe de profissionais de serviços básicos.

9.
Não pretendemos de modo algum propor a "elitização" da classe dos médicos ou dos profissionais nacionais tal como não somos pela "elitização" dos nossos governantes e representantes na Assembleia do povo, mas pretendemos o resgate da dignidade e auto-estima dos profissionais de saúde como elemento indispensável para a qualidade de vida e segurança de todo o Moçambicano.

10.
Distanciando-se de qualquer acto que possa ter como consequência a perda de vidas humanas, o Parlamento Juvenil se solidariza em relação ao discurso da Associação Médica de Moçambique segundo o qual os médicos e os profissionais de saúde serão vítimas de uma "escravatura moderna" à luz do artigo 28 da proposta do Estatuto dos Médicos que obriga a prestação de serviço ao Estado em condições de remuneração não condignas – o que, num cenário de pauperização das classes profissionais essenciais para a vida e dignidade humana constituídas por médicos, professores e polícias, põe em causa o discurso do Governo que tem defendido peremptoriamente o combate à pobreza.

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11.
Julgamos que as reivindicações dos profissionais de saúde não têm nada de anormal num país normal. Se o nosso país não for normal, consideraremos estas reivindicações anormais, mas como esperamos que Moçambique seja um país normal queremos acreditar que se levará em alta consideração as nobres reivindicações destes profissionais dentro das capacidades do Estado, luta esta que remonta desde os tempos em que o Professor Doutor Zilhão liderava a Ordem dos Médicos.

12.
Importa referir que o Parlamento Juvenil colheu com satisfação a Comunicação de Sua Excelência na XVII Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana no tema sobre Juventude, onde em sábias palavras definiu a juventude como "o outro nome do nosso futuro" e evocou ao saudoso Presidente Samora Machel para definir a juventude como "a seiva da Nação". Na ocasião, referiu e passamos a citar:

"A qualidade da seiva depende da qualidade dos nutrientes que a planta absorver do solo. De igual modo, a qualidade da intervenção da nossa juventude será determinada pelo investimento que para ela direccionarmos."

Hoje, o Parlamento Juvenil evoca igualmente estes inteligentes ensinamentos para acrescer que a qualidade dos serviços de saúde, dependerá também da qualidade dos nutrientes que os profissionais da saúde poderem absorver da sociedade.


13.
Esperamos que se considere que os médicos são tão importantes quanto outras classes favorecidas, por isso apelamos que, no âmbito da promoção da auto-estima dos Moçambicanos, se solidarize com a causa da Associação Médica e da Comissão dos Profissionais de Saúde.

14.
Esta carta Sr. Presidente, constitui um apelo aos bons ofícios de Vossa Excelência no sentido de se sensibilizar em relação ao que os médicos e

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os profissionais de saúde solicitam, mesmo que seja necessário cortar as regalias dos ministros, vice-ministros, magistrados, deputados, entre outros para se repartir com as outras classes profissionais – recuperando o discurso do saudoso Presidente Samora Machel quando nos intimava a sermos "os primeiros nos sacrifícios e os últimos nos benefícios".

E nós reforçamos,

"que haja algo para todos e não tudo para alguns".

Excelência,


15.
Estamos convictos de que a juventude e o povo Moçambicano aceitará com maior agrado a resposta positiva da Vossa parte considerando que esta greve pode não prejudicar as grandes elites capitalistas que têm meios para recorrer às clínicas privadas mas sem dúvida, irá afectar ao povo no geral.

16.
Assim, disciplinadamente, submetemo-nos ao veredicto de Vossa Excelência que tem autoridade para o proferir, na expectativa de que esta mereçá a devida atenção de Vossa parte e manifestando desde já a nossa mais profunda solidariedade em relação à causa dos profissionais de saúde e do povo Moçambicano.

17.
Exigimos justiça na saúde!

Saudações revolucionárias,


"JUVENTUDE, UM PODER EM MOÇAMBIQUE"



Maputo, aos 16 de Maio 2013

O Presidente


______________________________

Salomão Muchanga

CC/ Associação Médica de Moçambique